domingo, 2 de setembro de 2007

Lombinho Caseiro


A simplicidade do cardápio não implica na falta de esmero e capricho. Cardápio típico de domingo, lombo de porco no forno, maionese de batatas e farofa. Frugal, será? Proponho um passo a passo não para ensinar, mas para comparar roteiros, idéias e ousadias.

Penso em ingredientes que possam ser usados nos três pratos para facilitar e dar um toque de mesma paleta nas comidas.

Um lombinho daqueles do Castro que ficam pendurados em posições sedutoras, sem vergonhamente convidativos, uma metade de quilo e meio.

Cebolas pequenas de conserva (não em conserva), alho graúdo daquele meio arrocheado, galho de alecrim fresco, no sentido politicamente correto do termo, ramos de salsinha, sempre impliquei com molhe ou molho de, um pedaço de bacon daqueles com carnudos. Os temperos são vinagre, gosto muito de um de manjericão que anda a solta nas prateleiras da cidade, azeite do bom, shoyu, sal e uma calabresa flocada!

Primeira providência temperar o porco alguma hora antes. Vinagre, sal, alecrim, para marinar. Pique metade das cebolas e o alho em pedaços graúdos, misture com o shoyu e a calabresa se és chegado(a) numa picância.

Agora vamos a um procedimento deveras sophistiquè, lardear o lombo. Faça furos com uma faca pequena na superfície superior do lombo (científicidade). Espete o dedo para alargar o furo - pode se chamar este colóquio singelo e sem malícia, de penetração estética. Coloque em cada buraquinho um pedaço alho e outro do bacon, ambos em cubinhos. Misture as cebolas com o shoyu e temperos com a marinada, devolva o lombo e dê um belo banho do molho.

Enquanto o lombo descansa da intervenção cirúrgica, encarregue-se da maionese, cozinhe batatas de mesmo tamanho, para os pedaços ficarem parelhos, sei que dá mais trabalho até para acertar o ponto de cozimento, mas o gosto melhor é o da batata cozida com casca. Aproveite para colocar meio dente de alho, cortado de qualquer jeito, na água do cozimento. E também de dois ovos, temperatura ambiente, para aproveitar o fogo.

Acenda o forno, faça uma cama com as cebolas e alhos da marinada na assadeira. Duas a três voltas de azeite, deposite com picardia e espírito altaneiro o lombo em sua derradeira cama! Acrescente algumas cebolas inteiras para fazer o contorno. Cubra com resto da marinada, outra voltinha de azeite e leve ao forno coberto por tênue folha de alumínio.

Batatas cozidas al dente, escorra e descasque, dê uma borrifada enquanto ainda estão quentes, de vinagre, quando esfriar corte em gomos tipo bergamota. Coloque em travessa rasa, salpicar com salsinha e salgar.

Descasque os ovos, devidamente esfriados e separe as gemas, corte a clara em pedacinhos e aplique nas batatas. Em uma xícara grande, coloque as gemas cozidas e mais um crua, vá batendo com vigor e cuidado, acrescentando óleo em fio (recomendo óleo de arroz), produzindo umas das minha alquimias favoritas da culinária, maionese batida à mão. Não tem igual!

Calma meu caro, não vá despejando e misturando nas pobres batatas, elas não tem culpa de nada... Deixe a maionese em uma cumbuca para ir desacompanhada à mesa. Cada qual se serve como quiser e onde achar mais conveniente. Mesma coisa com cebolas, , na hora fica bom mas se sobrar salada, mesmo guardando na geladeira a cebola vai ficar com gosto ativo. Por isso também servir tiras finas de cebolas, passadas na água gelada, à parte.

Neste meio tempo (como assim meio tempo, dá para cortar o tempo e rodelas?), verifique o lombinho, tire o alumínio, vire a criança e coloque um pouco de água na forma, para não “pegar” e ir formando o molho. Volte ao forno, fogo médio.

A farofa é barbada, frite na manteiga os dadinhos de bacon que você espertamente deixou sobrar do processo de lardeamento aquele, frite até dourar, escorra o grosso da gordura e despeje a farinha, misture bem agregue sal e desligue o fogo, continue misturando (colher de pau por certo), até escutar o som inconfundível de farinha tostada.

Dê a última dourada, com a gordurinha para cima, no lombo, se o pote de mel estiver por perto, misture uma colherada generosa com um pouco de molho da forma, e pincele sobre a carne (gosto e cor!) e devolva para a derradeira forneada.

Corte o lombo em fatias parelhas, passe para outra travessa e despeje o molho sobre as fumegantes postas, salada e farofinha... e tem gente que não acredita no divino.

Não falei de arroz, pois acho que este trio prescinde do soltinho, mas tem gente que vive sem!

Esta hecha la trampa. Fico esperando sugestões e idéias de pratos típicos da culinária caseira e singular.

2 comentários:

isadoragutheil disse...

bom, bem legal tche. leitura irreverente e gastronomicamente perversa.

minduim disse...

vou experimentar!