domingo, 2 de setembro de 2007

COMER, COMER...




Quero crer que a ignorância deva ser usada de forma moderada, vejam meu caso, sempre acreditei que somente os sentidos da visão, da fala e da audição é que poderiam gerar cegueira, mudez e surdez... falta de tato é outra categoria! Achava que ninguém sofria de falta de paladar ou de olfato. Ledo engano, a percepção empírica me leva a crer que muita gente não tem menor senso palativo.

Como explicar as montanhas que se encontram nos pratos consumidos nos bufês da balança? Coxinha, banana, torta fria, arroz feijão, guisado com couve, bife a milanesa, batata frita (sempre), tomate, salada de maionese, massa com salsicha, croquete de ontem e o escambau, sem nenhuma configuração ou arranjo prévio.

A única explicação é a total falta de capacidade de sensibilidade gustativa, ou seja, o desgosto. Para enfrentar estas misturebas, só não sentindo gosto de absolutamente nada. Se não acreditam façam a experiência... coloquem um bastantão deste no liquidificador e, bem não vale a pena.

Também deixo de me reportar a bufês de cachorro quente para não ficar repetitivo.

Poderias estar pensando, com aquele pequeno ranço de preconceito que todos carregamos... - Isto é bem coisa de pobre!

Mas antes de chegar a esta conclusão vamos falar de doces. Eu acho que fazer receitas, com ovos, açúcar, chocolate, leite, farinha... uma dificuldade, são pontos de caldas, medidas certas e cozimentos esmerados.

E toda esta delicadeza e capricho vão para espaço, nas famosas mesas de sobremesas das filantropias e festerês, quem já viu sabe que as bem trajadas se atiram sem pudor, demonstrando a mesma falta de paladar do exemplo acima. Com misturar, pudim de clara, mousse de maracujá, pavê de trufas, figo em calda, tortas merengadas nos mesmo prato e conseguir sentir as diferentes texturas, sabores e sutilezas?

A gastronomia é uma ciência dos sentidos e o respeito a regras mínimas de bom senso ajuda muito a aproveitar e curtir as maravilhas da boa cozinha.

3 comentários:

Fabrício disse...

Um pouco de prudência como tempero. Há coisas que definitivamente não combinam... Tipo, salada de maionese com arroz e feijão... Só chamando o hugo pra ver!
Sobre tuas dicas...
Ótimas observações filosófico-culinárias, posto que a culinária é mesmo uma arte de temperanças.
Abraços!

Maria Luiza disse...

...falando em doce e, á título de curiosidade, este Doce de menina na foto com o pimentão vermelho, é nossa neta mimosa Laura...
vovós sempre serão corujas eh eh!!!

grischke disse...

Mui bueno teu blog. Sempre li as tuas colunas no "Amigos de Pelotas", agora vou te seguir por aqui.